Point Náutico
Daniel
Marinha
Fabiane e Fábio

Veleiro Vadyo

Projeto Atlântico 2002

Em abril de 2002, o casal carioca Geraldo Ormerod, de 57 anos, e Valéria Bueno, de 52, despediu-se dos filhos para iniciar um passeio de veleiro. O roteiro: África, Europa, América do Norte e Caribe. O tempo da viagem: seis anos.

O Veleiro Vadyo, Valéria e eu, Geraldo Ormerod, soltamos as amarras, levantando âncora e partindo. O mais difícil foi deixar os filhos, Fabiane, Fábio e Daniel!

O Sonho se torna Realidade, nascendo assim de nossos devaneios, embalados pelo desejo de navegar e acalentado por muitos anos de espera e planejamento, o tão desejado Projeto Atlântico 2002.

Nossa saída de São Francisco do Sul - SC

Às 15:00 horas, bem na hora marcada para soltar as amarras, tivemos uma entrevista, ao vivo, com uma rádio de Curitiba.

Na desatracação recebemos um pequeno pacote, muito bem embrulhado e totalmente fechado com fita durex, de nosso primo Wilfredo com os dizeres: “ATENÇÃO – Só pode ser aberto na Lat. 00°000’.

Partimos, soltamos as amarras, iniciava um sonho... o Projeto Atlântico 2002 saía do papel... já era uma realidade. Diversas embarcações nos acompanharam, numa lancha estavam diversos amigos vindos de Curitiba e nossos filhos, em nosso Vadyo, a madrinha, Ana Maria, ia fazendo uma festa muito grande com Valéria, estava muito lindo e segurar a emoção era difícil. Aos poucos as embarcações foram se despedindo e retornando, após a passagem do Sumidouro e da saída da barra, estávamos navegando sozinhos.

Para nossa surpresa e de todos, entrou um vendaval, 30 a 35 nós, o céu, de repente ficou negro,o mar cresceu rapidamente com ondas altas, recolhemos a genoa e rizamos ao máximo a Mestra.

O Vadyo velejava a 8/9 nós, na realidade estávamos surfando nas ondas que entravam de popa/alheta de boreste, e no rádio diversos amigos nos preveniram da frente que chegava repentinamente, uns diziam para voltar, outros para prosseguir, alguns simplesmente se despediam e desejavam felicidades, uma confusão geral no rádio.

Em meio a tudo isto tomei a decisão: “Vamos correr com o vento”, estava resolvido, vamos em frente, rumo a Santos, em São Paulo.

E assim navegamos por cerca de 3 anos, subimos toda a costa brasileira, percorremos o Caribe e partimos para Cabo Canaveral, nos Estados Unidos.

Em 2004 o ACIDENTE

Saímos de St. Maartin, no Caribe, rumo aos Estados Unidos, uma navegada de cerca de 15 dias, sem ter terra a vista.

A noite estava muito escura, somente céu e mar, mas tudo corria bem e a favor, estávamos na Costa da Florida, no outro dia estaríamos chegando ao nosso destino, em Cabo Canaveral...

De repente, as 23:00 horas sofremos um forte impacto, fui projetado para dentro da cabine, o barco adernou violentamente para boreste, uma grande onda inundou o interior do veleiro, seguidamente adernou para o lado contrário, e novamente uma grande onda voltou a entrar no barco, ao mesmo tempo um grande barulho de coisas quebrando e tudo, tudo no interior do veleiro voava de um lado para outro, no escuro.

Tínhamos acabado de bater em um contêiner, perdido, flutuando no mar, no meio da noite.

Valéria gritava que estávamos afundando. Verifiquei que estávamos bem, sem maiores danos físicos, interior do veleiro estava todo destruído, os mantimentos espalhados, garrafas quebradas, os armários se quebraram, nossas roupas boiavam na água, era um caos total, avaliei a situação, vi a proa semi destruída e o convés aberto na junção do costado de proa a popa, mas tínhamos uma flutuabilidade positiva.

Soltamos um may-day pelo rádio VHF e fomos socorridos pela US Coast Guard.

A partir daí nos preparamos para o pior, um naufrágio era eminente, estávamos com coletes salva-vidas, aprontei a balsa de abandono, reforcei com mais comida e água, coloquei mais sinalizadores, separei nossos documentos pessoais, tudo pronto no cockpit para abandonar o veleiro, em caso de um naufrágio.

A cada dez minutos passávamos nossa posição para a US Coast Guard, caso contrário seríamos considerados náufragos e resgatados pelo helicóptero, coisa que não desejava, pois nestes casos tem de abandonar a embarcação... Após cerca de duas horas avistamos uma luz no horizonte, era a embarcação de socorro que chegava, estávamos salvos.

Escoltados por uma fragata da marinha americana, seguimos, precariamente e com muito cuidado para o continente, navegamos toda à noite, até o raiar do dia, buscando segurança no interior da Intercoastal Waterway, em Fort Pierce.

Gostaríamos de dizer, para finalizar, que apesar de nosso acidente na Costa da Flórida, USA, tudo valeu a pena, se fosse necessário faríamos tudo de novo, e sobretudo acreditar em seus Sonhos, lutem por eles, façam deles uma meta e os transformem em realidade.

Geraldo Ormerod, Capitão Amador

Capitão Amador, Perito Aferidor de Bússola e Instrutor Náutico.
Tem no seu currículo a edição de apostilas e exames simulados para habilitação para Motonauta, Arrais Amador e Mestre Amador.
Na área de Aperfeiçoamento Marítimo editou Apostilas de GPS, Cartas Náuticas Digitais, Meteorologia para Navegantes, ABC da Vela, Credenciado pela CPPR - Capitania dos Portos do Paraná para ministrar treinamento prático de Motonauta e Arrais Amador, emitindo...



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